Capítulo 1. Prólogo
- Ly Anne B.

- 26 de set. de 2016
- 3 min de leitura
Atualizado: há 3 dias
Eu não posso ver a sua estrela Eu não posso ver a sua estrela
Como pode a escuridão parecer tão errada?
Your Star – Evanescence
Remus Lupin soube que aquela era a coisa mais difícil que teria de fazer em sua vida no minuto em que olhou para os rostos das duas garotas à sua frente. Mais do que se transformar em lobisomem todos os meses. Lutar em uma guerra e acreditar que tudo estava acabado, para então ter de lutar em uma segunda. Encarar a morte de dois dos seus melhores amigos na flor da juventude. Perder o seu último grande amigo… irmão, na mesma guerra que já levara tudo de bom que algum dia tivera… por quantas vezes, especialmente nos últimos tempos, ele acreditara que não suportaria o dia seguinte? E contra todas as expectativas, ali estava, ainda de pé, ainda respirando. Se forçando a olhar para os rostos ansiosos das garotas que aprendera a amar como família e saber que ele seria o responsável por lhes causar uma enorme, enorme dor.
Pais não eram supostos a morrer enquanto seus filhos ainda precisavam deles.
— Moony! — A mais nova das duas veio lhe abraçar, achando o seu caminho entre os obstáculos da sala; caldeirões de vários tamanhos, o menor deles capaz de abrigar um bebê elefante. — Eu não acreditei quando você disse que vinha, quero dizer, você não devia, não é, e a Bevy achou que você estava numa missão!
Remus não lhe respondeu mesmo quando passou os braços em torno da afilhada. Ele estava olhando para a outra, a mais velha. Bervely não se movera de sua ocupação, diante de um dos caldeirões, uma grande concha dourada na mão e uma pipeta na outra, a não ser para encará-lo. Uma pergunta no fundo de seus olhos, que eram do pai e da mãe ao mesmo tempo.
Uma pergunta e um medo profundo da resposta. Como ele poderia sequer…?
— Eu tenho uma notícia. — Começou, como tinha treinado em sua cabeça mil vezes durante o caminho até o Instituto Flamel. — Achei que deveria vir pessoalmente dizer a vocês.
Enquanto Anne franziu o rosto, preocupada, o olhar da mais velha se agravou. A palidez de seu rosto se acentuou com o medo.
— Ele foi pego? Os dementadores o pegaram? — perguntou num fio de voz.
Remus negou com a cabeça. Assistiu à jovem alquimista apresentar um alívio furtivo, que ela dispensou rapidamente. Afinal, por que mais ele teria atravessado o país para vê-las? Remus não fora ao Instituto nem uma vez naqueles quase dois anos em que tinham se mudado. Algo terrível precisava ter acontecido.
— Ele foi preso então? Os aurores…? Se ele voltou para a prisão…
— Moony! — Anne reclamou, começando a ficar impaciente, o brilho prateado incomum dos seus olhos parecendo se intensificar — Desembucha, o que foi que aconteceu?
Ele fechou seus olhos. Em momentos como aqueles, Remus era tomado pela certeza de que qualquer sistema que regia o curso do mundo simplesmente não se baseava em noções de justiça.
— Houve um confronto no Ministério da Magia há alguns dias e a Ordem esteve presente para defender Harry Potter e outros estudantes de um grupo de comensais. — Ele ouviu sua voz narrar, abafada.
— Nós vimos isso no jornal! — Anne exclamou — Eles capturaram os comensais, não foi? E o Ministro finalmente reconheceu o retorno de Você-Sabe-Quem, mas então por que você teve que vir aqui…?
Atrás dela, Bervely continuava em silêncio, os olhos se alargando em um desespero oceânico ao adivinhar a noticia no rosto do lobisomem, antes que ele conseguisse despejá-la por seus lábios.
— Eles não capturaram todos; Bellatrix Lestrange conseguiu escapar. Ela estava duelando com Sirius no Departamento de Mistérios, então houve um acidente, eu acho, e ele — Remus deu um suspiro pesado, insustentável, de pesar. — Ele caiu através do véu da morte, e… eu sinto muito, meninas. Sirius se foi.



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